O Calda Extra é um blog a favor dos produtos e serviços com personalidade e relacionamento. Ele foi criado para levar a você, de maneira pessoal e parcial, algumas experiências do mercado atual e também um espaço para compartilhamento das suas. Da maneira como uma empresa opera e se relaciona, até a forma como seus produtos são vendidos, é nossa obrigação procurar pela Calda Extra, pelo diferencial, pela dedicação.
Mas, por que Calda Extra?
Desde pequeno sempre tive um único vício: Recheios.
Começou com o lançamento de “Querida encolhi as crianças” (Honey, I Shrunk the Kids – 1989), hoje meramente um clássico da Sessão da Tarde, naquela cena em que o pequeno Nick está do tamanho de uma formiga no jardim e tromba com uma Negresco ENORME na grama. A possibilidade de meter a mão naquele recheio gigante já me dá tiques, eu preciso fazer aquilo um dia.
Voltando ao meu vício por recheios, mas caminhando alguns anos para frente (lá por 1998, 1999), já na minha rechonchuda adolescência, eu direcionei o meu vício por recheios na categoria sorvetes. Três a quatro vezes por semana eu comia um sundae do MC.
O procedimento era sempre o mesmo. Entrava na fila, sorria para a balconista a fim de mostrar que sou um cliente gente fina, comprava o sundae e soltava aquele “Mas capricha na calda, hein?”… Sempre tinha um ou outro que vinha com o discurso institucional max-bullshit que só podiam dar “duas bombadas” de calda por sorvete, senão “saía do bolso deles”.. ahan. Contudo, 87,34% das vezes eu conseguia o famoso “chorinho”, e saía feliz e contente com meu sundae transbordando de chocolate. Sim, sempre chocolate, os outros não existem no meu cardápio.
Um certo dia, já alguns anos mais para frente, quando eu já não era tão gordo e um tal de Busch ou Bush ou Bossal governava lá no pólo norte, estava eu caminhando feliz e contente em direção ao MC que acabara de abrir na minha rua – imaginem a minha felicidade – contando os minutos para botar as mãos no meu sorvete caldolento. Entrei na loja, fiquei na fila, pedi o sundae, soltei o “capricha”, e recebi uma notícia assim, bombástica.
Algum brilhante cretino sem mãe, pai, irmãos ou amigos, resolveu implementar, junto com a miguelagem de guardanapos (que pelo meio ambiente eu até apoio, desde que me dêem pelo menos dois) a “nova lei da calda extra”. Por “apenas” mais oitenta e cinco centavos, o cliente “ganhava” (ganhava o cacete, paguei pô) a calda extra.
Que espécie de marketeiro literalmente tira do cliente a satisfação de ganhar um “presente” da empresa, um “agrado” desses, e começa a vendê-lo por R$0,85?? É a mesma coisa que o chapeiro da lanchonete me cobrar para torrar mais o meu queijo, ou a atendente da padaria me cobrar para pegar o muffin mais recheado e não o primeiro da bandeja (que nunca é atraente), ou o garçom do bar me dizer que traz a saideira grátis se eu pagar pelas garrafas.
Hoje, o valor da calda extra, corrigido pela APA (APá Puta que te Pariu) gira em torno de 1 real, quase 20% do preço da porcaria do Sundae.
Opa! Meu Deus! Eu disse “porcaria do Sundae“??? Mas eu adoro aquele Sundae! Até escrevo com letra maiúscula!!!
Pois é, a imagem do Sundae para o Sr. Fábio Freitas, ilustre desconhecido e desvalorizado cliente da lanchonete, foi pro brejo. Hoje, achei a solução alternativa, compro um potão 2L e meto uma calda da Hershey’s (que eu compro de litro e ponho quanto eu quiser) e como no sofá assistindo Friends, que aliás é meu segundo vício.
Esse exemplo, claro, é contado “dessa forma” por um propósito. O objetivo deste blog é ilustrar, além de reconhecer e divulgar, que o cliente precisa dessa Calda Extra, deste agrado nos produtos e serviços que compra, deste valor agregado.
Não importa se você está comprando um celular, uma bóia de piscina, uma detetização ou uma cova no cemitério, o importante é que você procure sempre por empresas que fazem mais pelo cliente, que criam um relacionamento, que melhorem o ambiente ao invés de simplesmente vender uma mercadoria.
Há empresas no resto do mundo ganhando dinheiro com serviços que ajudam as pessoas a ganharem o seu dinheiro. Por exemplo, nos EUA uma empresa de entregas criou um mapa online para as pessoas em qualquer lugar da cidade cadastrarem coisas que têm para vender. Tipo um “maps do mercado livre”. Além de ajudar a galera a fazer um dinheiro e se livrar das inutilidades, a empresa ainda ganhou mais de 50 mil seguidores e, em pouco tempo, se tornou referência naquela comunidade. Uma ação simples, mas que fez a diferença.
Não fique parado. Exija a sua Calda Extra.
hahahaha que demais esse texto!
Viva “a caprichada”! É o que sempre peço na cremeria Nestlé quando ela começa com aquela caldinha de chocolate no meu gelado!